Por que o FIFA acabou nos videogames? Entenda o fim da parceria com a EA e o nascimento do EA Sports FC
Durante quase três décadas, falar em FIFA para muitos jogadores significava muito mais do que falar sobre a entidade que administra o futebol mundial.
FIFA também era videogame.
Milhões de jogadores cresceram escolhendo seus clubes favoritos, disputando partidas com amigos e montando equipes no Ultimate Team.
Por isso, quando FIFA 23 se tornou o último jogo da tradicional série produzida pela Electronic Arts com esse nome, uma pergunta apareceu entre muitos jogadores:
Por que o FIFA acabou?
A resposta é mais interessante do que uma simples mudança de nome.
O futebol virtual não desapareceu. A Electronic Arts continuou produzindo seu jogo, que passou a se chamar EA Sports FC, enquanto a própria FIFA decidiu seguir uma estratégia diferente para o mercado de videogames.
Entenda como uma das parcerias mais famosas da história dos games chegou ao fim.
FIFA e EA eram empresas diferentes
Antes de entender a separação, existe uma confusão bastante comum que precisa ser esclarecida.
A FIFA não desenvolvia os jogos FIFA.
Quem produzia a famosa franquia era a Electronic Arts, através da divisão EA Sports.
A FIFA — Fédération Internationale de Football Association — licenciava sua marca e determinados direitos para que a Electronic Arts pudesse utilizar o nome FIFA em seus jogos.
Essa parceria existia desde os anos 1990.
Em 1993 foi lançado FIFA International Soccer, iniciando uma franquia que posteriormente se transformaria em uma das maiores séries esportivas dos videogames.
Durante os anos seguintes tivemos títulos como FIFA 98, FIFA 2002, FIFA 10, FIFA 15, FIFA 20 e muitos outros.
Mas o relacionamento comercial não seria eterno.
O acordo entre FIFA e Electronic Arts
Em 2013, FIFA e Electronic Arts anunciaram uma extensão do acordo de licenciamento que mantinha os direitos da EA sobre videogames utilizando a marca FIFA até o final de 2022.
O acordo também abrangia direitos relacionados aos videogames oficiais da Copa do Mundo.
Na prática, a EA possuía uma associação extremamente poderosa.
O nome FIFA era reconhecido praticamente em qualquer país onde futebol fosse popular.
Entretanto, ao longo dos anos, a própria marca de futebol da Electronic Arts também se tornou gigantesca.
Isso seria fundamental para o que aconteceu posteriormente.
O primeiro sinal de que alguma coisa estava mudando
Em outubro de 2021, a Electronic Arts publicou uma declaração bastante importante sobre o futuro de seus jogos de futebol.
A empresa informou que estava avaliando uma mudança no nome de sua franquia.
Mais importante ainda: explicou que seu acordo de direitos sobre o nome FIFA era separado das diversas outras licenças mantidas pela EA no futebol mundial.
Esse detalhe mudava praticamente tudo.
Muitos jogadores poderiam imaginar que perder o nome FIFA significaria perder automaticamente clubes, jogadores e campeonatos.
Não era necessariamente assim.
A EA possuía centenas de acordos independentes.
Ou seja: o nome FIFA representava uma licença importante, mas não era responsável sozinho por todo o conteúdo presente no jogo.
Por que EA e FIFA se separaram?
Não existe apenas uma única frase capaz de explicar toda a negociação.
O fim da parceria aconteceu em um cenário no qual as duas organizações passaram a ter estratégias diferentes para o futuro dos videogames de futebol.
A Electronic Arts queria construir sua própria plataforma de futebol e anunciou que sua franquia continuaria sob a marca EA Sports FC.
Já a FIFA queria abandonar um modelo em que grande parte de sua presença nos videogames estava concentrada em um único parceiro.
Isso abriu caminho para que cada lado pudesse seguir seus próprios planos.
O dinheiro também entrou na discussão?
Questões financeiras foram amplamente discutidas durante o período das negociações, mas é importante ter cuidado com números publicados como rumores.
Diversos valores sobre quanto a FIFA supostamente teria pedido para renovar sua licença circularam na imprensa e na internet.
Entretanto, o ponto confirmado publicamente é que as organizações não chegaram a um novo acordo de longo prazo para manter a antiga estrutura.
Por isso, é mais correto falar sobre divergências comerciais e estratégicas do que apresentar algum valor não confirmado como a única razão para o fim da parceria.
O último FIFA da Electronic Arts
A separação não aconteceu imediatamente.
A FIFA concedeu à EA uma extensão para a categoria de simulação, permitindo que a empresa lançasse FIFA 23.
Esse seria o último grande jogo da EA utilizando o tradicional nome FIFA.
Depois dele, a Electronic Arts passou definitivamente para sua nova identidade.
Nascia o EA Sports FC.
Para jogadores acostumados durante décadas a perguntar “você comprou o FIFA novo?”, a mudança parecia enorme.
Mas por trás do novo nome, boa parte da estrutura continuou existindo.
Por que a EA conseguiu continuar com jogadores e clubes?
Essa talvez seja a parte mais interessante da história.
A licença da FIFA não representava automaticamente todas as equipes, atletas, ligas e estádios presentes no videogame.
A própria EA explicou antes da mudança que trabalhava com mais de 300 parceiros licenciados individualmente.
Na época, esses acordos davam acesso a milhares de atletas e centenas de equipes.
Isso significa que diversas licenças importantes eram negociadas independentemente da FIFA.
Premier League, Bundesliga, LaLiga, UEFA e CONMEBOL são exemplos de organizações diferentes da FIFA.
Portanto, perder a licença do nome FIFA não significava necessariamente perder todas essas competições.
FIFA não é dona de todo o futebol
Esse é outro ponto frequentemente confundido.
A FIFA é a principal entidade internacional do futebol, mas isso não significa que ela seja proprietária dos direitos comerciais de todos os clubes, jogadores e campeonatos existentes.
Existem diferentes organizações responsáveis por diferentes competições.
A UEFA administra competições como a Champions League.
A CONMEBOL possui competições sul-americanas como a Libertadores.
Existem ainda ligas nacionais, federações, clubes e associações relacionadas aos direitos dos atletas.
Para construir um videogame extremamente completo, uma empresa precisa administrar uma verdadeira rede de contratos.
Foi justamente essa rede que permitiu à Electronic Arts continuar oferecendo grande quantidade de conteúdo licenciado mesmo sem utilizar FIFA no título.
FIFA 24 nunca existiu?
Não como sucessor de FIFA 23 produzido pela EA.
O jogo que muitos jogadores informalmente poderiam chamar de “FIFA 24” foi lançado como EA Sports FC 24.
A mudança marcou o início da nova fase da franquia.
Em vez de pagar pelo direito de utilizar FIFA como identidade principal, a Electronic Arts passou a fortalecer uma marca que controla diretamente.
Isso também possui uma vantagem estratégica enorme.
Imagine uma empresa construindo uma franquia durante décadas utilizando o nome pertencente a outra organização.
Se a parceria termina, aquele nome desaparece.
Com EA Sports FC, a Electronic Arts passou a possuir uma identidade própria para sua plataforma de futebol.
Mas então quem ficou com o nome FIFA?
A própria FIFA.
O fim do acordo não eliminou a marca dos videogames.
Ele simplesmente encerrou a antiga associação exclusiva entre FIFA e Electronic Arts.
Na época da separação, a FIFA já indicava que pretendia trabalhar com diferentes desenvolvedoras e publishers.
A organização queria explorar um modelo menos dependente de um único parceiro.
E isso é especialmente interessante quando observamos o que aconteceu posteriormente.
Em 2026, FIFA está voltando aos games de outra maneira
Quem imaginou que a FIFA havia desistido do mercado de videogames estava enganado.
Em maio de 2026, a organização apresentou uma estratégia atualizada para o futebol digital.
Em vez de depender de apenas uma grande franquia anual produzida por uma única empresa, a FIFA passou a construir um ecossistema com vários parceiros.
A estratégia envolve empresas e plataformas diferentes, permitindo que a marca FIFA apareça em diferentes tipos de experiências.
É praticamente o oposto do antigo modelo.
Antes:
FIFA + Electronic Arts = principal franquia de simulação.
Agora:
FIFA + diferentes parceiros = múltiplos jogos, plataformas e experiências.
FIFA passou a trabalhar com várias empresas
A estratégia anunciada pela FIFA inclui diferentes parceiros dentro do mercado de jogos digitais.
Isso permite explorar públicos que talvez nunca comprassem um jogo tradicional de futebol vendido anualmente para consoles.
A organização pode participar de experiências mobile, jogos mais casuais, esports, plataformas sociais e projetos de simulação.
Portanto, dizer que “FIFA saiu dos videogames” não é exatamente correto.
O que acabou foi o modelo que fez milhões de jogadores associarem durante décadas a palavra FIFA diretamente ao jogo desenvolvido pela EA.
E quem ganhou com a separação?
Ainda é difícil apontar um vencedor definitivo.
A Electronic Arts conseguiu preservar uma enorme comunidade e transformou EA Sports FC em sua própria marca.
Isso reduziu sua dependência do nome FIFA.
A FIFA, por outro lado, recuperou liberdade para negociar sua propriedade intelectual com diferentes empresas.
As duas organizações trocaram uma parceria extremamente consolidada por maior independência.
Existe também um terceiro participante nessa história:
o jogador.
Maior concorrência pode significar novas ideias no mercado de futebol virtual.
Durante muitos anos, FIFA e posteriormente EA Sports FC ocuparam uma posição extremamente forte dentro dos simuladores licenciados.
Se novos projetos conseguirem competir de verdade nesse segmento, os consumidores podem acabar tendo mais opções.
EA Sports FC ainda é FIFA?
Oficialmente, não.
EA Sports FC é uma franquia pertencente à Electronic Arts.
Entretanto, é correto considerá-la a sucessora direta da antiga série EA Sports FIFA.
A estrutura de desenvolvimento, diversas licenças e muitos dos modos conhecidos pelos jogadores continuaram dentro da nova marca.
Por isso, culturalmente ainda existem jogadores que chamam EA Sports FC simplesmente de “FIFA”.
Depois de quase 30 anos utilizando o mesmo nome, essa associação dificilmente desapareceria de uma hora para outra.
A mudança mostra o verdadeiro valor de uma marca
Existe uma interessante lição empresarial por trás dessa história.
Durante décadas, FIFA emprestava um nome extremamente poderoso para a Electronic Arts.
Ao mesmo tempo, a EA construiu uma comunidade tão grande ao redor de seus jogos que eventualmente conseguiu lançar uma identidade independente.
A questão era descobrir se os consumidores estavam comprando o jogo principalmente porque ele se chamava FIFA ou porque gostavam da experiência criada pela EA.
A transição para EA Sports FC colocou essa questão à prova.
Também mostrou como licenciamento pode ser complexo dentro da indústria dos videogames.
Podemos ter um novo FIFA concorrendo com EA Sports FC?
Sim, e essa é uma das consequências mais interessantes da separação.
Como Electronic Arts não possui mais exclusividade sobre o nome FIFA, a entidade pode trabalhar com outros desenvolvedores.
Em 2026, a FIFA confirmou que sua estratégia envolve diversos parceiros e diferentes experiências digitais.
Isso significa que EA Sports FC e jogos oficiais licenciados pela FIFA podem coexistir.
O cenário é bastante diferente daquele conhecido pelos jogadores durante as décadas anteriores.
Agora, FIFA é uma marca que pode aparecer em projetos desenvolvidos por outras empresas, enquanto EA Sports FC continua sendo a principal franquia de futebol da Electronic Arts.
Uma parceria histórica chegou ao fim, mas o futebol virtual ficou maior
A separação entre Electronic Arts e FIFA parecia, inicialmente, o fim de uma era.
E de certa maneira foi.
Uma geração inteira cresceu esperando todos os anos pelo próximo FIFA.
FIFA 98, FIFA 2002, FIFA 10, FIFA 14, FIFA 18 e FIFA 23 pertencem a diferentes momentos da história dos videogames.
Mas o desaparecimento daquele nome das capas da EA não significou o fim dos jogos de futebol.
Aconteceu justamente o contrário.
A EA criou sua própria marca.
A FIFA abriu seus direitos para novos parceiros.
E o mercado entrou em uma nova fase.
Conclusão
Então, afinal, por que FIFA deixou de existir como o tradicional jogo anual dos videogames?
Porque FIFA e Electronic Arts encerraram sua histórica parceria de licenciamento após quase três décadas.
A Electronic Arts decidiu continuar sua franquia utilizando uma marca própria, criando o EA Sports FC, enquanto manteve inúmeros contratos independentes com ligas, clubes e organizações do futebol.
A FIFA seguiu outro caminho.
Em vez de continuar dependendo exclusivamente de uma única desenvolvedora, passou a buscar diferentes parceiros para construir um ecossistema mais amplo de videogames e experiências digitais.
Portanto, FIFA não abandonou os games.
FIFA e EA simplesmente seguiram caminhos diferentes.
E aquela separação que parecia representar o fim de uma das maiores franquias esportivas da história acabou criando duas possibilidades: de um lado, EA Sports FC; do outro, novos jogos e experiências utilizando oficialmente a marca FIFA.
Para quem gosta de futebol virtual, essa disputa pode acabar tornando os próximos anos muito mais interessantes.
Última atualização: setembro de 2026.
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